Home >> Aves Patriotas,Aves Patriotas,Colunas >> Os problemas de comunicação na defesa dos Patriots

“Hey girl stop what you’re doin’!
Hey girl you’ll drive me to ruin.
I don’t know what it is that I like about you
But I like it a lot”

Para fazer uma citação de uma banda massa e parecer legal, podemos dizer que o Led Zeppelin é a torcida dos Patriots e a garota da questão é, sei lá, o CB Stephon Gilmore. Bem, independente em quem você quiser depositar a maior porção da culpa, podemos considerar a secundária dos Pats como todo o foco desta Communication Breakdown (música à qual faço referência, para quem não pegou).

Bem, nesse início de temporada a defesa de New England se tornou uma grande casa de reabilitação para QBs em situação de risco. Na semana 1, Alex Smith deu início à sua até aqui melhor temporada na carreira, após uma off-season de desconfiança com os Chiefs subindo no 1st round para escolher Patrick Mahomes. Na semana 3, o rookie Deshaun Watson, após um fraco início de carreira, abusou da unidade defensiva dos Pats pelo ar e pelo chão.

Agora, no último domingo, os Patriots conseguiram fazer o anêmico ataque dos Panthers parecer uma unidade dinâmica, com Cam Newton mostrando números parecidos aos de sua temporada de MVP em 2015.

E os principais culpados desse desempenho pífio, ou pelo menos deixou muito evidente em dois jogos distintos, foram os tais problemas de comunicação na secundária. Contudo, o que é o grande motivo de vergonha é talvez a principal esperança de que a unidade coordenada por Matt Patricia dê a volta por cima nessa temporada.

Diga o que quiser, esta secundária dos Pats têm um talento no mínimo considerável. Eu não consigo imaginar no momento grandes melhoras do front seven, mas se essa secundária jogar perto de sua capacidade total, a defesa como um todo pode ser pelo menos mediana.

Mas então, vamos aos fatos.

Complexidade não é o problema

Bem, uma preocupação comum é se o tipo de cobertura e chamadas ou linguagem para as jogadas defensivas estavam muito complexas e gerando dúvidas no grupo. De imediato, podemos dizer que não.

Esse grupo joga junto há pelo menos uma temporada, a única novidade é Stephon Gilmore. Para por por terra essa possibilidade, o safety Duron Harmon disse após o jogo: “Nós simplificamos [as chamadas]. Não tem como ser mais simples do que o que estamos fazendo. Então, precisamos nos olhar no espelho”, disse o jogador em tom de auto-crítica.

Stephon Gilmore, a nova peça

Depois do jogo Gilmore também fez coro ao discurso de melhoras internas. O cornerback ainda pesou sobre a frustração que é perder em problemas de comunicação, já que as capacidades de cada jogador se quer foram colocadas em cheque nas jogadas em questão.

E a participação do CB deve ser melhor avaliada. Como os outros jogadores da secundária já jogam juntos há mais tempo, o tal ruído de comunicação é bem provável que venha do mais novo patriota.

Vamos pegar emprestado a análise bem completa que o jornalista Doug Kyed fez sobre as jogadas mais problemáticas do domingo.

Começamos com o facílimo TD de Fozzy Whittaker em um screen pass.

Desde antes do snap, dá para ver como Gilmore estava perdido, sem saber contra quem alinhar. Após ajuste, já com Devin McCourty perto da jogada, o CB passa a seguir o RB Christian McCaffrey que faz o motion em direção a Cam Newton.

Gilmore sinaliza em direção a McCaffrey e a sequência é algo patético: além do CB, McCourty e os LBs Van Noy e Elando Roberts voltam suas atenções ao jogador, o que deixa metade do campo aberto para bloqueios se estabelecerem e um TD muito fácil.

O outro exemplo vai para o TD de Devin Funchess, que aconteceu pouco depois de uma jogada absurda em que a defesa dos Pats deixou Kelvin Benjamin completamente sozinho para um avanço de mais de 40 jardas.

No lance do TD, Funchess começa do lado direito e faz um motion pre-snap para o lado esquerdo, criando uma formação bunch, com vários recebedores próximos para confundir a secundária. Rowe seguiu o movimento do WR, o que já indicava man cover.

Após a movimentação, vemos Gilmore sinalizar para Rowe e McCourty, que aparentemente não viram o gesto. Isso provavelmente indicava um switch na cobertura, isso é, quando defensores trocam a marcação para facilitar a jogada. Isso é muito utilizado para parar pick-plays, jogadas oriundas de formações com recebedores próximos que procuram, via cruzamento de rotas, dificultar a movimentação da defesa e deixar um recebedor livre para um passe fácil.

Veja a sinalização de Gilmore:

Aparentemente, Gilmore estaria indicando que ele cobriria o TE Ed Dickson. Ou seja, haveria o switch de cobertura, com Rowe supostamente marcando o WR Devin Funchess.

O que aconteceu?

Gilmore e Rowe cobriram o TE e Newton achou Funchess completamente solitário na endzone.

Podemos fazer várias suposições. Como Dickson correu um rota flat, Gilmore teria maior facilidade, por seu posicionamento inicial, de cobrir o deslocamento. Contudo, esse tipo de ajuste exige muito entrosamento e confiança entre os companheiros de unidade.

Por mais que fizesse sentido Gilmore cobrir o flat, o posicionamento inicial de Rowe tornava muito mais difícil para o #25 cobrir a rota corrida por Funchess.

Basicamente, voltamos ao mote base do texto: falha de comunicação.  O ideal talvez fosse pedir tempo reajustar as formações e jamais ir para o snap com tanta confusão. Fica a lição e que o time consiga mudanças suficientes em seu back-end defensivo em uma semana curta, com jogo na quinta-feira em Tampa, contra os ótimos recebedores dos Buccs.

Quando os próprios males vem para o bem

Longe de mim falar de “toda derrota é uma oportunidade para crescer ou coisa do tipo”. Até porque, o TD longo de Tyreek Hill no jogo contra os Chiefs já sinalizava problema de comunicação entre os DBs: Gilmore jogou Cover-2 enquanto DMac seguiu Travis Kelce homem a homem.

Mas no próprio jogo contra os Panthers, uma certa falha – embora não no mesmo nível das descritas acima, rendeu na INT de Malcolm Butler.

Veja no canto inferior da tela: Funchess para no screen para criar uma pick para a rota wheel na cobertura dos Patriots. Butler reconhece a rota e abandona completamente seu assignment na jogada, criando uma cobertura dupla e fazendo a interceptação.

Um QB mais ágil na leitura certamente identificaria que Funchess ficou completamente sozinho para um 1st down fácil. Males que vem para o bem, repito, mas para vermos que até em jogadas boas, conseguimos identificar pequenos desajustes.

New England tem o melhor ataque, com 423.8 jardas/jogo e a pior defesa, permitindo 456.8 jardas rivais. Ou seja, toda semana uma unidade consegue números melhores que ataque número 1 da liga por jogar contra uma defesa que até aqui é historicamente ruim.

September October overreaction? Esperemos!

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